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Alex_von_Wald
37 / M / Straight / Seeing someone
São Paulo, Brazil
His journal posts
Monogamia
Jan 3, 2010
Muita gente defende posições "modernas" acerca de relacionamentos afetivo-sexuais. É só olhar o fórum do OKCupid. Não tem ninguém monogâmico por lá. Nem um único filho da puta sequer. As pessoas têm vergonha de dar a entender que poderiam, talvez, topar um relacionamento assim. Todo o mundo é descolado e trepa com qualquer coisa que se aproxime, preferencialmente em trios. A monogamia é a nova H1N1: tirem de perto de mim quem der qualquer indício de infecção.
Eu costumava me considerar um cara libertário. Eu costumava acreditar que era bonito as pessoas terem o direito de escolher viver as suas vidas das maneiras estúpidas que quisessem, dentro dos limites de civilidade. Eu costumava acreditar que a liberdade sexual era uma das grandes conquistas da contracultura. Mas a humanidade conseguiu me encaretar. A Hannah Arendt que me perdoe por descontextualizar e desvirtuar seu conceito de “pathos do novo”, mas é isso que aconteceu no nosso comportamento sexual. O que existia no passado, o relacionamento um-a-um, estável, fechado, tornou-se necessariamente nocivo e detestável, a ponto de que ninguém mais pode se manifestar a favor dele sem medo de parecer um fascista violento e anacrônico.
Eu não sinto desconforto em afirmar no meu perfil e aqui neste journal que eu sou a favor da monogamia, desgastada e abatida que esteja. Não tenho pudor de declarar abertamente à minha namorada, <<DaniFoulle>>, e a toda a comunidade do OKCupid, que eu não estou aberto a relações sexuais com outras pessoas. Não tenho medo de parecer patético, obsoleto ou corno. Burro desde sempre, escolho o caminho mais árduo e digo que precisamos de uma dose de conservadorismo no nosso comportamento sexual para colocar as coisas em perspectiva novamente. Sieg Heil.
Information is imparted on a 'need to know' basis
Jan 3, 2010
Minha primeira namorada namorava comigo escondido. Nós trabalhávamos na mesma empresa, eu era um moleque de 24 anos, ela era mais velha, tinha uma filha adolescente. Havia toda uma série de problemas associados que a impediam de tornar a coisa pública. Eu achava curioso, mas que podia eu fazer a respeito? Ficamos juntos por cerca de dois anos, e no meio do amargo período de discussões que nos fizeram terminar, ela me disse algo de que eu sempre vou me lembrar pela doçura: que a única coisa de que ela se arrependia era de não ter me assumido como namorado perante todo o mundo. As poucas amigas próximas dela sabiam; quem não precisava saber, não. Na época, essa relutância em proclamar em alto e bom som um relacionamento comigo me tocava mais como uma circunstância excêntrica, acidental. Era inesperado, mas não chegava a ser doloroso.
Hoje tudo dói, e me parece menos acidental.